Honrando pai e mãe – biblicamente.

INTRODUÇÃO

“A única maneira de honrar aos pais é obedecendo-lhes, respeitando-os e não lhes causando dor”. 1

Este é um princípio bíblico que tem perdido espaço no lar de muitas famílias. A cada dia que passa, famílias vêm se destruindo por falta de harmonia entre pais e filhos; e, filhos e pais.

Os valores estão sendo invertidos a cada dia. Os pais tem perdido sua autoridade de liderança diante de seus filhos. Filhos têm desprezado as orientações e ordenanças de seus pais para dar ouvidos a amigos, jogos, internet e etc.

Da mesma forma, podemos identificar um déficit muito grande por parte dos pais, no que diz respeito à educação dos filhos. Pais estão cada vez mais negligenciando suas responsabilidades para com seus próprios filhos, em relação ao ensino social, instruções educacionais, emocionais e principalmente espirituais.

Parece que se perdeu de vista o boa e velha “educação se aprende em casa…”2. Essa responsabilidade tem sido terceirizada a outros, pelos pais. Ao mesmo tempo, os filhos sabem ouvir muito bem a um amigo de escola (ao ponto de passar horas), sabem reconhecer com louvor uma instrução de um professor ou diretor de escola; mas, quando se trata de ouvir os pais, parece que não vale a tentativa de submissão e reverência.

A pergunta que vem a nossa mente é: O que aconteceu com a juventude de hoje? Os tempos mudaram tanto assim? O que aconteceu com aquela geração de pais que sabiam educar seus filhos com disciplina e amor?

Paulo, ao escrever aos cristãos de Éfeso, faz várias recomendações e instruções em relação à vida cristã autentica baseada numa resposta positiva relacional com Deus. Ele faz menção de todas as classes sociais, familiares e relacionais que a humanidade precisa para existir, sem deixar de usar como ponto de partida a vida relacional com Deus; pois é por causa desta que as demais precisam ser corrigidas.

É interessante observar que Paulo coloca a obediência dos filhos aos pais, no mesmo lado da submissão das mulheres aos maridos; do amor dos maridos por suas esposas; e, da atitude de obediência e submissão dos servos para com os seus senhores. A ideia que está sendo proposta pelo apóstolo é que: filhos também devem se sujeitar em obediência e amor aos seus pais, e isto deve ser feito com atitudes, e não só com palavras.

Lembremo-nos também que o apóstolo Paulo está escrevendo para um publico de cristãos, ou seja, as instruções dadas não podem ser desassociadas de Deus, pois ele é o motivo de nossa existência e existimos para seu louvor e glória. Esta ênfase é dita para que tenhamos maior responsabilidade diante do mundo perdido; a final de contas, fomos chamados para ser como sal e luz neste mundo.

Paulo está de certa forma, aplicando à vida do cristão – seja ele casado, solteiro, filho, pai, mãe ou servo de outro – a maneira bíblica de se viver do novo ser regenerado em Cristo Jesus, para a glória de Deus.

Assim como a esposa deve sujeitar-se a seu esposo, assim também os filhos devem sujeitar-se a ambos os progenitores, sob as mesmas condições. Todavia, essa obediência dos filhos aos seus pais não deixa de ter suas condições. Paulo diz que essa obediência dos filhos a seus pais está condicionada pela vontade de Deus – “obedecei a vossos pais no Senhor…, criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”3.

O Rev. Hernandes Dias Lopes identifica três motivos que o apóstolo Paulo apresenta que devem levar os filhos a ser obedientes aos pais: a natureza, a lei e o evangelho4.

Em primeiro lugar, a natureza [Ef 6.1]. A obediência dos filhos aos pais é uma lei da própria natureza; é o comportamento padrão da sociedade. Portanto, a desobediência aos pais é um sinal de decadência moral da sociedade e um sinal do fim dos tempos [Rm 1.28-30; 2Tm 3.1-3].

Em segundo lugar, a lei [Ef 6.2-3]. Os filhos não devem presta só obediência aos pais, mas também, devotar amor, respeito e cuidado a eles. É possível obedece sem honrar. O irmão do filho pródigo obedecia ao pai, mas não o honrava [Lc 15.11-32]. Honrar pai e mãe é, antes de tudo, honrar a Deus [Lv 19.1-3]; A desonra aos pais era um pecado punido com a morte [Lv 20.9; Dt 21.18-21]. “Resistir à autoridade dos pais é insurgir-se contra a autoridade do próprio Deus”.

Em terceiro lugar, o evangelho [Ef 6.1]. Paulo escreve em Colossenses 3.20 que os filhos devem obedecer aos pais em tudo; já em Efésios 6.1 ele equilibra a ordem dizendo que devem obedecer no Senhor. O que Paulo está ensinando? Será que ele mudou de ideia? Na verdade Paulo diz que os filhos devem obedecer aos pais porque eles são servos de Cristo. Eles devem obedecer aos pais por causa do relacionamento que têm com Cristo [Cl 3.20].

Paulo está trazendo instruções para pais e filhos diante do contexto que estava. Ele faz isso fazendo uma interpretação da lei apresentada por Deus no decálogo. O quinto mandamento trata de submissão, obediência e ao mesmo tempo de vida relacional com Deus, mediante Cristo Jesus. A maneira em que vivemos diante dos pais, reflete no que vivemos com Deus.

Paulo é assertivo em apresentar de maneira pratica o quinto mandamento para a igreja de Éfeso, levando em consideração a vida relacional com Deus, com reflexo na vida familiar.

Segundo a lei, o filho que descumpria as ordens dos pais era passível de morte, e morte pública [Lv 20.9; Dt 21.18-21]. Os filhos desobedientes e rebeldes deviam ser levados ante os anciões da cidade e logo apedrejados até a morte. Não há registro bíblico ou arqueológico de que este castigo fora alguma vez levado a cabo, mas o ponto era que a desobediência e a rebelião não deviam ser toleradas no lar nem se devia permitir que ficasse sem correção5. A desobediência também está na lista de pecados relacionados a Deus e que caracterizam o fim dos tempos [Rm 1.28-30].

O que Paulo está trazendo aos cristãos de Éfeso é que, agora – em Cristo Jesus, está punição não é direcionada diretamente a nós porque Cristo já “… tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si…” [Is 53.4]. O que nos ajuda na hora da punição do pecado que cometemos como filho rebelde é saber que Cristo assumiu nosso lugar. É por isso que Paulo diz que, tanto a postura de filhos obedientes deve ser feita “no Senhor”, como a maneira dos pais criarem, disciplinarem e admoestarem seus filhos, também deve ser feita à maneira “do Senhor”.

[FILHOS] COMO PODEMOS OBEDECER A VOSSOS PAIS, NO SENHOR?

A resposta o próprio apóstolo Paulo apresenta a nós no capítulo 5 desta mesma epístola – “Sendo, imitadores de Deus, como filhos amados; andando em amor; como Cristo” [Ef 5.1-2 (tradução do autor)].

Um filho que está em Cristo Jesus é, por natureza, um imitador de Deus; a final de contas, “… já não sou eu quem vive, mas Cristo viver em mim…” [Gl 2.20]. Se Cristo vive em mim – e não eu, então, toda a minha conduta deve proceder do Filho de Deus. Assim como ele é, sejamos nós também, em todo nosso viver, agir e pensar. Paulo está dizendo que os filhos devem viver uma vida de obediência no Senhor, assim como foi como Jesus Cristo; e desta forma, estaremos sendo imitadores de Deus [Pv 4.1-4.

[PAIS] COMO PODEMOS CRIAR VOSSOS FILHOS NA DISCIPLINA E NA ADMOESTAÇÃO DO SENHOR?

“Retém a vara e arruína o menino — isto é verdade; mas junto à vara tenha uma maçã para dá-la quando agir bem” [Matinho Lutero].

Esta frase caracteriza bem o que Paulo estava tratando em relação a como os pais devem disciplinar e admoestar os filhos.

“O propósito da disciplina paterna é ajudar no crescimento dos filhos, não ferir nem desanimá-los [Cl 3.21]. A paternidade não é fácil, requer muita paciência para formar aos filhos em amor, de maneira que honre a Cristo. A frustração e a irritação não devem motivá-los a disciplinar. Em troca, os pais devem atuar em amor, tratando a seus filhos como Cristo tratou às pessoas que amou. Isto é vital no desenvolvimento dos filhos e no conceito que tenham do Senhor6.

Paulo diz em primeiro lugar para não provocar a ira dos filhos; mas, em contrapartida a isso, deve criar na disciplina e admoestação do Senhor. Isto significa que, antes, o que era praticado estava trazendo desânimo e ira aos filhos; e, uma vez em Cristo Jesus, esse mesmo método de instrução deve acontecer de forma diferente e baseada em Cristo.

Em nenhum momento Paulo está desautorizando os pais de disciplinar ou corrigir seus filhos, como também ele não está anulando a autoridade dos pais sobre seus filhos. O que de fato está acontecendo é que, uma vez em Cristo Jesus, toda nossa postura deve ser baseada no que Cristo fez; assim como a disciplina e admoestação deve acontecer em Cristo Jesus.

Disciplina significa: instrução que aponta para o crescimento em virtude. Castigo e punição. Admoestação significa: exortação. A tradução “VIVA” da bíblia diz: “… Não vivam repreendendo e irritando seus filhos, deixando-os irados e rancorosos. Antes, eduquem-nos com a disciplina amorosa que o próprio Senhor aprova, com recomendações e conselhos piedosos.

CONCLUSÃO

Há outro texto bíblico que caracteriza bem o que o apóstolo Paulo tenciona com os cristãos de Éfeso, Provérbios 22.6: Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. (RA Strong’s)”.

Esta instrução dita no texto está relacionada ao ensino que deve ser apresentado, no e do Senhor. A diferença está na maneira como isso é passado de pai para filhos. O texto diz que o ensino à criança deve ser feito no caminho; a ideia que é apresentada é de um pai que está caminhando com seu filho, e enquanto isso acontece, ele “treina, aconselha, exorta”, mas, ele também está no caminho desfrutando dos mesmos desafios, a final de contas, todos somos filhos.

Muitos pais cristãos, nos dias de hoje, estão transferindo essa responsabilidade para pastores, professores de escola bíblica e outros irmãos na fé. Este desafio foi entregue para cada pai e mãe, uma vez que os filhos são fruto de suas responsabilidades.

ORIENTAÇÃO PASTORAL

Filhos: Precisamos a cada dia nos voltar para o Senhor Jesus e buscar uma relação de obediência, respeito e amor para com nossos pais; pois agindo assim, estaremos honrando-os no Senhor.

Pais: Precisamos nos voltar para o Senhor Jesus e buscar uma relação de amor, temor e exortação para com nossos filhos. Desta forma, estamos demonstrando um perfil que representa Deus em seu caráter paterno para com os seus.

Deve haver um equilíbrio nesta relação de instrução dos pais a filhos. Se houver apenas advertência, os filhos ficam desanimados; se houver apenas estímulo, eles ficam mimados. Esse equilíbrio entre advertência e estímulo é fundamental para a educação dos filhos.

 

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1 BARCLAY, William. “A carta aos Efésios”. Pág. 130.
2 LIMA, Adriano. “Poemas de Adriano Lima”. SITE: https://pensador.uol.com.br/frase/MTgzMDczNA/
3 CHAMPLIN, Russel Norman. “O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo, Vol. 4”. São Paulo, SP: Hagnos, 2014. Pág. 810.
4 LOPES, Hernandes Dias. “Efésios: igreja, a noiva gloriosa de Cristo”. São Paulo, SP: Hagnos, 2009. Pág. 162-163.
5 “Comentário da Bíblia Diário Viver (ESP).
6 “Comentário da Bíblia Diário Viver (ESP).
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