Honrar pai e mãe é – antes de tudo – honrar a Deus.

INTRODUÇÃO

Avançamos um pouco mais em relação à meditação do decálogo e já podemos perceber o quanto estas ordenanças são cruciais para nossa educação, repreensão, crescimento espiritual e acima de tudo, nossa vida com Deus.

Cumprir os mandamentos do SENHOR diz muito sobre aqueles que se preocupam em viver para Deus e com Deus. Viver para Deus significa estar no centro de sua vontade. Viver com Deus implica em conhecer a sua vontade.

Muitos vivem para Deus, e com isso, se doam na obra missionária e nos serviços da casa do SENHOR. Outros vivem com Deus, e com isso, dedicam maior parte de suas vidas nos quartos de oração e leitura da Palavra. Onde está o erro nessas duas características de pessoas? O fato de viver um compromisso separado um do outro, no reino de Deus.

Precisamos sim, viver para Deus e com Deus. Não há possibilidade de apenas viver para Deus nos doando em serviço no seu reino; como também não há possibilidade de apenas viver com Deus, dedicando-se em consagração constante a Ele. É necessário que ambas as atitudes estejam alinhadas no mesmo propósito de estar no centro da vontade do SENHOR porque conhecemos a sua vontade.

Os dez mandamentos nos possibilitam a oportunidade de ambas as atitudes diante do Senhor dos senhores. Ao cumprir cada mandamento, estamos afirmando nosso compromisso com Deus e reafirmando nossa vida para Deus.

A partir do quinto mandamento, temos uma mudança no tom das ordenanças do SENHOR para o seu povo. Os quatros primeiros mandamentos dizem respeito à nossa conduta para com Deus; enquanto que os demais mandamentos nos conduzem a uma vida relacional saudável com nossos semelhantes, sem deixar de ter em mente que:

Os mandamentos são ordenanças do SENHOR para o seu povo, em resposta a uma vida saudável e amorosa entre o povo, refletindo no relacionamento principal e central com Deus.

O quinto mandamento fala do compromisso de honrarmos nossos pais. No texto ficam claros os deveres dos filhos para com seus pais – honrá-los. Talvez este seja um dos maiores problemas que tem afetado o bem estar de muitas famílias nos dias de hoje.

A honra aos pais é algo que tem ficado de fora da vida de muitos jovens nos dias de hoje. A falta de respeito e irreverência dos filhos ao lidarem com seus pais tem causado grandes estragos nos ambientes familiares em nossa época.

Precisamos analisar algumas informações importantes contidas neste mandamento para nossas vidas. Vejamos:

O QUE O MANDAMENTO NOS ORDENA

Este mandamento do SENHOR nos ordena a uma postura de submissão e respeito diante daqueles que estão sob nossa tutela. Pais aqui representam aqueles que estão responsáveis por nossas vidas como também aqueles que se encontra em condições de nos transmitir ensinamento exemplar, tais como “os mais velhos”.

A ordem expressa ao povo de Israel era para que houvesse uma vida submissa diante daqueles que foram responsáveis por sua existência e manutenção.

O mandamento do SENHOR ordena ao povo para que sejam diligentes com seus progenitores. Isto implica em honrá-los, respeitá-los, amá-los e tê-los como alvo de nossa obediência e reverência. Honrar aos pais também diz respeito a honrar a Deus, uma figura de Pai para o seu povo.

Entendemos que é tarefa dos pais sustentar, amar, proteger e livrar dos perigos existentes à nossa volta, os filhos que estão sob sua guarda. Ao fazerem isso, estarão lutando contra as interferências malignas que nos cercam constantemente.

O quinto mandamento do SENHOR nos ordena a reconhecer e preservar os ensinamentos e instruções de nossos pais, assim como fazemos diante do SENHOR; em prol de uma vida assistida e mantida em sua presença.

A QUEM O MANDAMENTO NOS ORDENA HONRAR

O quinto mandamento é muito claro quando nos apresenta os destinatários: pai e mãe; está não é uma questão de difícil compreensão. O que de fato nos chama a atenção é o “por que” Deus apresenta está ordenança de honrar pai e mãe? O que estava em jogo para Deus estabelecer este princípio ao povo?

O texto não muito é claro quanto ao “por que”, mas, olhando para a história da humanidade em questão podemos encontrar algumas razões que podem justificar o pedido de Deus.

Lembremo-nos o que ocasionou a existência do pecado na humanidade, olhando para o Éden. Lá onde tudo começou. Sabemos da condição humana original que era segundo a imagem e semelhança de Deus, ou seja, a humanidade foi criada e era santa assim como o seu Criador.

Mas, o pecado trouxe consequências à vida humana, deixando uma destruição significativa no relacionamento do homem com Deus. O motivo que levou o homem a pecar foi em vista de sua “desobediência”. O homem não levou em consideração a condição que tinha diante de Deus e quis ser igual a Deus.

Esta atitude trouxe o pecado à vida do homem. O homem desobedeceu por não honrar o seu Criador. Ele ultrapassou os limites estabelecidos por Deus quando não honrou a sua autoridade e ordenança.

Quando deixou de ouvir e cumprir a voz de Deus, o homem desfrutou de uma vida em desonra ao seu Criador. Feriu a sua autoridade ao dar ouvidos ao Maligno. Desta forma, a honra a Deus não foi mantida, mas, quebrada e negligenciada.

Deus ao estabelecer este mandamento está trazendo de volta um princípio que fora quebrado no Éden, a – honra a Deus somente. O homem se distanciou deste princípio desde então.

Quando Deus apresenta este mandamento ao seu povo no monte Sinai, Ele está trazendo de volta o princípio da honra a Ele; pois é o nosso Pai e Criador.

Honramos nossos pais (pai e mãe) por pelo menos três motivos: 1) por serem nossos progenitores – merecem nossa honra por nos trazerem ao mundo e cuidarem de nós; 2) por serem nossos guias – merecem nossa honra por nos guiar em um mundo perdido e manter-nos nos trilhos; e, 3) por serem nossos educadores – merecem nossa honra por nos ensinar os valores da vida.

Em Deus, temos esses princípios bem estabelecidos; pois ele é o nosso Criador natural, nosso guia neste mundo e, quem nos ensina os princípios da vida cristã.

A QUE O MANDAMENTO NOS GARANTE

Deus é tão gracioso conosco que mais uma vez nos bonifica quando cumprimos fielmente as suas ordenanças.

Diante de todos os mandamentos, apenas este tem uma promessa imediata para aqueles que cumprem com temor e tremor. A mesma coisa foi vista no Éden quando Deus diz que poderiam comer livremente do fruto de toda árvore que havia no jardim, menos da árvore do conhecimento do bem e do mal, onde não poderiam comer, porque no dia em que comerem, certamente morreriam; a benção em não comer estava em manter-se vivo na aliança com o SENHOR [Gn 2.9; 17].

Desta feita, Deus estabelece neste mandamento, mais uma benção ao obedecê-lo fielmente. O fato de o homem ter comido do fruto mostrou a desobediência com que fizera; e, ocasionando um resultado negativo para sua vida e geração.

Ao cumprir o quinto mandamento o homem está levando em consideração que deve honrar aquele que está sob sua vida como guia e Senhor; e, o resultado disso é que: “seus dias seriam prolongados na terra que o SENHOR lhe dá”.

Se, no Éden, o homem mante-se obediente a Deus sobre todas as coisas, é evidente que a benção continuaria sobre sua vida. A benção no Éden estava relacionada à: 1) comunhão com Deus; 2) proteção e provisão de Deus; 3) dias gloriosos e abundantes; e, 4) vida eterna de paz e prosperidade no SENHOR. Uma vez que a honra não foi mantida, as consequências vieram sobre o homem e toda a sua posteridade.

Mas, Deus sendo rico em misericórdia e amor, permite que o homem mais uma vez tenha a oportunidade de recomeçar e corrigir o que falhou. Neste mandamento Deus promete vida eterna para aqueles que honrarem seus pais.

Está vida eterna será na terra que o SENHOR nosso Deus reservou para o seu povo. Está terra foi preparada para que o povo de Deus pudesse, mais uma vez, desfrutar de sua proteção, direção e orientação no seu conselho.

A centralidade deste mandamento está na parte final do texto que diz: “… o SENHOR, teu Deus, te dá”. Isto significa que a benção que recebemos não é algo que alcançamos por nós mesmos, mas, Deus entrega ao seu povo. Assim como no Éden, Deus é o dono de tudo e controla tudo. Tudo pertence a Ele e dar aquém quiser. Nossa função é: “honrar”.

Isto significa que não podemos exigir nada de Deus, já que tudo pertence a Ele. Devemos apenas desfrutar das bênçãos que Ele nos dá, enquanto honramos o seu nome para todo o sempre.

“Apenas corações que foram aproximados de Deus em Cristo podem verdadeiramente honrar pai e mãe, até mesmo pais que agiram de modo desonroso”1.

CONCLUSÃO

Diante destas verdades por trás do quinto mandamento, podemos concluir que é preciso um retorno imediato à vida dedicada a Deus. Sabemos das implicações decorrentes do pecado, mas, não podemos olhar para elas pensando que Deus desistiu de nós.

O fato dele ainda nos chamar para uma vida em honra ao seu nome, significa que ainda somos alvos do amor de Deus.

Aprendemos a honrar a Deus com o exemplo de Cristo Jesus, o qual –sendo Deus – não usou com usurpação o “ser igual a Deus”. Ele assumiu a forma de servo, tornando-se semelhante ao homem; ainda assim, não deixou de honrar a Deus com sua vida em submissão a Ele.

O resultado disto foi a sua exaltação. Não foi uma exaltação de si mesmo; mas, a sua exaltação a Deus lhes permitiu ser exaltado sobre toda a terra e céu.

Ao honrar a Deus, fazemos dele nosso SENHOR e mestre, do qual vem nossa fonte de existência, providência e diligência.

 

1 Bond, Douglas. “Os Dez Mandamentos: 5 – Honra teu pai e tua mãe”. Ministério Ligonier, 2015. Original: Honor Your Father and Mother. Website: MinisterioFiel.com.br: voltemosaoevangelho.com/blog/2015/08/osdezmandamentos5honrateupaietuamae/
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