A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO NA OBRA MISSIONÁRIA – Atos 4.23-31

INTRODUÇÃO

             Hoje em dia é comum conhecermos inúmeros ministérios que surgem da noite para o dia; alguns com verdadeiras intenções relacionadas ao reino de Deus; já outros estão procurando a promoção pessoal ou ministerial; outros ainda se envolvem com obra do Senhor sem de fato conhecer o Senhor da obra; e, portanto, não perseveram na caminhada cristã quando os desafios surgem.

            O que falta na vida de muitos que já estão envolvidos na obra missionária e na vida daqueles que almejam honrosa tarefa, é manter uma vida disciplinar de oração, meditação das Sagradas Escrituras e submissão ao Senhor da obra. A obra missionária precisa ser regada a base de oração para que sejamos cheios do poder do Espírito Santo e sejamos habilitados para a boa obra.

            Esta tarefa tem sido esquecida em muitos encontros missionários, congressos, reuniões de planejamentos e momentos particulares com Deus. Em alguns casos, muito se sabe das Escrituras Sagradas, mas pouco se vive o que lê. Talvez o motivo desta deficiência esteja na falta da submissão ao poder do Espírito Santo.

            O livro de Atos, embora narre fatos importantes relacionados aos primeiros atos ministeriais dos apóstolos, é um livro que registra a manifestação do Espírito Santo na realização da obra missionária – não só dos apóstolos, como também dos primeiros cristãos.

            Neste livro, podemos encontrar a transição do ministério de Jesus para os apóstolos, deixando-lhes a responsabilidade de anunciarem os grandes feitos de Cristo e seu evangelho.

            A passagem que lemos narra um momento importante e singular na vida dos apóstolos e dos primeiros cristãos, quando sentiram na pratica os desafios da missão.

            Pedro e João, em nome de Jesus, realizam um milagre extraordinário na porta do templo chamada Formosa. Um coxo com mais de quarenta anos padecendo, é curado pelo poder do nome de Jesus Cristo. Este sinal milagroso trouxe certo deslumbre para alguns e um sentimento invejoso e egoísta da parte de alguns líderes.

            Pedro e João, ao serem tomados pelo povo por causa do milagre que “fizeram”, diz o texto que: “À vista disto, Pedro se dirigiu ao povo dizendo: Israelitas, por que vos maravilhais distou ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?” [At 3.12].

            Os apóstolos não permitiram nenhum tipo de glória para eles mesmos e apresentaram a Jesus como grande realizador daquele milagre; o mesmo Jesus que outrora haviam traído e negado perante Pilatos, e crucificado. Esse mesmo Jesus que foi morto, Deus ressuscitou dentre os mortos. É diante desse nome que tem todo o poder que o coxo foi curado [At 3.11-26].

            Esta declaração trouxe certa reação da parte dos líderes e autoridades de Jerusalém, ao ponto de levarem presos a Pedro e João. Foram julgados e ameaçados para não mais falarem nem ensinassem este nome a quem quer que seja [At 4.1-18].

            Os apóstolos já puderam sentir o início da perseguição na obra missionária. Embora todos esses ataques, não foram suficientes para calar os apóstolos nem a igreja do Senhor. Pedro e João dão uma resposta que reafirmavam sua posição diante do Senhor e sua obra: 19“… Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus; 20 Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” [At. 4.19-20 (NVI)].

            Baseado nesta passagem, podemos identificar algumas observações importantes no decorrer da missão dos discípulos, diante da obra missionária, que lhes ajudaram a manterem-se perseverantes, sempre abundantes. Vejamos:

            A primeira observação importante que encontramos no decorrer da missão dos discípulos é:

I. UMA CAPACITAÇÃO E MOTIVAÇÃO DIVINA PARA A OBRA MISSIONÁRIA [At 4.23].

            O próprio Jesus disse a seus discípulos: “… Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” [Mc 16.15]. Esta era uma ordenança muito clara para os discípulos de Jesus. Foi baseado nesta palavra que eles pregaram a Palavra de Deus para todas as pessoas.

            Jesus, porém, lhes fez algumas recomendações importantes que seriam necessárias em momento oportuno. Ele foi bem claro com seus discípulos quanto ao que poderia acontecer com eles. E o que Jesus disse? No evangelho de Marcos temos as recomendações de Jesus:

9 Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho. 10 Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações. 11 Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo [Mc 13.9-11].

            Os apóstolos Pedro e João desfrutaram na pratica dessa promessa que o próprio Jesus havia lhes proferido. Por causa da pregação do evangelho eles foram levados, em Jerusalém, à presença de “… autoridades (governantes), anciãos, escribas e sumo sacerdotes…” [At 4.5], para darem um parecer de sua postura mediante o sinal milagroso no templo e por causa de sua declaração ao afirmar que: “… em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos… que este está curado” [At 4.10].

            Esta afirmação dos apóstolos, que é mediante o evangelho de Cristo, trouxe um tom de revolta a essas autoridades, ao ponto de pedirem que: “… absolutamente não falassem, nem ensinassem em nome de Jesus” [At 4.18].

            O que está em questão aqui não é só o tom das autoridades; nem apenas o motivo que levou os discípulos a serem presos e levados diante das autoridades; mas, o cumprimento da promessa de Jesus aos seus discípulos.

            Isso deve ser colocado em questão extremamente importante porque, desta forma, seremos impulsionados e motivados a trabalhar na obra missionária com muito mais vigor e prazer, sabendo que Deus, em Cristo Jesus, mediante a condução do Espírito Santo dará a capacitação necessária para a realização da obra que é do Senhor.

            Não estava acontecendo nada diferente do que Jesus já havia informado aos discípulos que aconteceria. A única coisa que eles precisavam fazer é pregar o evangelho de Cristo Jesus; e, portanto, cumprir a obra missionária que lhes foi dada.

            Pelo menos duas observações precisão serem feitas aqui: Em primeiro lugar, a obra missionária só é realizada por aqueles que entendem sua missão e confiam no Senhor da missão. Em segundo lugar, a obra missionária só é realizada por aqueles que não só conhecem a missão e o Senhor dela, como também, se submetem a esse Senhor.

            Os discípulos de Cristo entenderam os desafios que a missão de pregar o evangelho lhes causaria. Mediante o pleno conhecimento e confiança no Senhor desta missão, eles se submeteram ao Seu senhorio e não tiveram receio de encarar os desafios porque sabiam quem lhes enviou e quem estaria com eles na obra missionária.

            Muitos hoje desistiram do ministério ou perderam o brilho da missão quando se depararam com os desafios decorrentes da obra missionária. Talvez se esquecesse das palavras de Cristo quando disse que: “… E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” [Mt 28.20b].

            É exatamente este relatório que os apóstolos contaram aos irmãos quando foram soltos. É este testemunho que os apóstolos foram prontamente compartilhar com seus irmãos na fé.

            Eles poderiam, após serem presos e ameaçados quanto à prática da pregação do evangelho para que não ensinassem em o nome de Jesus, ter ido embora ou mudado de missão; mas, suas convicções estavam claras e ainda mais confirmadas por causa do que passaram em nome do evangelho. O apóstolo Paulo fala aos cristãos filipenses desse tipo de situação que acontecem quando se realiza a obra missionária; mas, suas palavras são motivadoras para prosseguirmos. Ele diz: “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho” [Fp 1.12].

            A resposta dos discípulos diante da perseguição e opressão da qual sofreram foi de perseverança na obra missionária. Diante disto, temos outra observação importante no decorrer da missão dos discípulos:

II. A ORAÇÃO COMO FERRAMENTA SINGULAR PARA A PERSEVERANÇA NA OBRA MISSIONÁRIA [At 4.24-30].

            Os discípulos relataram tudo o que lhes aconteceram ao se encontrarem com os irmãos. A reação desses irmãos foi surpreendente e motivadora para nós nos dias de hoje. O texto diz que eles “… unânimes, levantaram a voz a Deus…” [v.24].

            A postura desses irmãos nos ensina pelo menos dois princípios importantes sobre a oração na obra missionária: Em primeiro lugar, a oração é uma ferramenta singular para nos manter avivados na obra missionária. Em segundo lugar, a oração é uma ferramenta singular para alcançar os resultados benéficos da obra missionária. Olhando desta perspectiva queremos fazer uma análise para melhor compreendermos esta posição.

  1. A oração é uma ferramenta singular para nos manter avivados na obra missionária. Quando olhamos para a oração que esses irmãos fizeram, aprendemos que: a) Quando oraram ao Senhor, eles puderam manter em suas mentes a Soberania de Deus diante de sua criação [v.24]; e, b) Quando oraram ao Senhor eles puderam compreender que os levantes que estavam padecendo não eram diretamente a eles; mas, ao próprio Cristo Jesus [v.25-28 (Sl 2.1-2; At 9.4)].
  2. A oração é uma ferramenta singular para alcançar resultados benéficos para obra missionária. Os discípulos e demais irmãos não oraram unânimes por bênçãos materiais; tão pouco por sucesso financeiro ou pessoal. Suas orações foram em prol do sucesso da obra missionária. Suas orações foram em prol por mais coragem para enfrentar os desafios. Suas orações foram em sintonia com a missão – anunciar a Palavra de Deus.

            Os interesses desses irmãos estavam fundamentados no compromisso da obra missionária. Suas motivações estavam em cumprir a missão que lhes foi dada. Suas expectativas eram que a Palavra do Senhor não parasse de ser anunciada. Para isso, se uniram em oração ao Deus que lhes comissionou.

            Esta atitude fez com que se mantivessem perseverantes no compromisso da missão, mesmo diante das ameaças. Eles estavam conscientes de que, por causa da perseguição, de fato, a obra estava sendo realizada conforme a vontade de Deus, pois as Suas palavras estavam se cumprindo na realidade missional deles.

            No versículo 30, temos um fato interessante e motivador para nós hoje. Ao invés de orarem para que os livrasse das perseguições que estavam enfrentando, eles oraram pedindo mais sinais e prodígios por intermédio do “nome”.

            Justamente por causa desse sinal que o nome de Jesus causou ao curar o paralítico com mais de quarenta anos nessa situação que os discípulos foram presos e ameaçados. Esse era motivo de sobra pra que eles orassem pedindo que ‘os livrasse de correr tão grande risco de morte’ por causa de fazer uso do nome de Jesus.

            Mas, o texto diz exatamente o contrário. Ao invés de rejeitar os sinais, eles pediram mais sinais. Ao invés de orarem pedindo que não houvesse curas, oraram para que elas acontecessem com mais frequência à medida que fizessem uso do nome de Jesus. Ao invés de se calarem por causa das perseguições, eles levantam a voz a Deus.

            Ainda podemos encontrar outra informação importante nesta passagem. Temos:

III. A RESPOSTA DE DEUS PARA AQUELES QUE SE ENVOLVEM NA OBRA MISSIONÁRIA [At 4.31].

            O texto diz que algo sobrenatural aconteceu no lugar onde estavam reunidos. Houve uma manifestação divina, na pessoa do Espírito Santo, sobre aqueles irmãos.

            Uma coisa que não podemos perder de vista é que: “… a oração de um justo é poderosa e eficaz” [Tg 5.16]. Esses irmãos estavam engajados na obra missionária em resposta ao comissionamento que Deus lhes fizera. Eles se mantiveram firmes e constantes na fé e não perderam o foco da missão. Rogaram a Deus que lhes capacitassem com mais intrepidez para anunciarem a Palavra de Deus.

            Não podemos esquecer que muitos desses discípulos eram pessoas simples, com linguajar simples e informal. Daí, podemos entender o porquê eles oraram pedindo intrepidez para anunciarem a Palavra de Deus.

            O fato é que Deus respondeu a oração que fizeram. Eles são cheios do Espírito Santo e capacitados com intrepidez para anunciarem a Palavra de Deus, na obra missionária.

            Alguns pontos relacionados ao comprometimento mútuo da igreja precisam ser destacados. O texto diz que:

  1. Tendo eles orado [v.31a]. Isto significa que todos estavam unidos, agindo no mesmo propósito.
  2. O texto também diz que: Todos ficaram cheios do Espírito Santo [v.31b]. Ou seja, todos juntos recebendo do mesmo mover e crescimento.
  3. O texto termina dizendo que: Com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus [v.31c]. Todos envolvidos engajados na mesma missão.

            Estar na obra missionária nem sempre nos permite desfrutar das glórias de Deus neste mundo. Mas, Deus sempre estará presente no meio daqueles que vivem para a sua glória neste mundo.

CONCLUSÃO

            A grande verdade que encontramos na história da igreja primitiva é que, eram movidos pelo Espírito Santo de Deus. O Senhor de fato não os deixou órfãos. Ele disse: “O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” [Jo 14.17].

            O Rev. Hernandes Dias Lopes diz:

Uma igreja cheia do Espírito Santo busca a companhia dos irmãos nos tempos de tribulação [v.23].Uma igreja cheia do Espírito Santo busca o Senhor Todo-poderoso em oração [v.24-26]. Uma igreja cheia do Espírito Santo entende que a maldade humana não frustra os desígnios de Deus [v.27-28]. Uma igreja cheia do Espírito Santo não pede a cessação do problema, mas poder para testemunhar no meio dos problemas [v.29]. Uma igreja cheia do Espírito Santo tem expectativa da ação milagrosa de Deus em seu meio [v.30]. Uma igreja cheia do Espírito Santo é revestida com poder para pregar a Palavra com autoridade [v.31]1.

            O historiador e pastor, Justo L. González também diz:

Em vez de dizer: “Senhor, ajude-nos a evitar problemas”; o texto convida-nos a dizer: “Senhor, dê-nos mais sinais de seu poder, que foi o que criou o problema inicial”. Em vez de dizer: “Senhor, ajuda-nos a ficar em silêncio”; o texto convida-nos a dizer: “Senhor, garanta que seus servos falem sua palavra com toda coragem”. Em vez de dizer: “Senhor, não permita que esses “opositores” criem dificuldades”; o texto convida-nos a dizer: “Senhor, dê-nos mais opositores”2.

              A unidade da igreja é fundamental para o avanço da obra missionária. A igreja toda reunida na obra missionária em um só propósito, uma só fé e um só Senhor; atrai a benção do Senhor da obra.

              Os cristãos da igreja primitiva estavam reunidos em só propósito em favor da obra missionária; e desta forma, consequentemente, unânimes, levantaram a voz a Deus; como também, todos ficaram cheios do Espírito Santo; e, anunciavam a Palavra de Deus.

___________________________

1 LOPES, Hernandes Dias. “Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja”. São Paulo, SP. Hagnos, 2012. Pág. 102 a 107.

2 GONZÁLEZ, Justo L. “Atos, o evangelho do Espírito Santo”. São Paulo, SP. Hagnos, 2011. Pág. 92.

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