PERDOAI, E SERÁS PERDOADO.

PERDOAI, E SERÁS PERDOADO.

A difícil, porém necessária, tarefa que nos diferencia do mundo.

Luiz H. S. de Souza[1]

TEXTO BÍBLICO: Evangelho de Mateus 18:21-35.

INTRODUÇÃO

A maior dificuldade do homem não é amar, mas perdoar. Sabemos amar alguém que não conhecemos, mas que tenha feito algo que foi de nosso agrado; assim como também podemos amar alguém que conhecemos com facilidade. Mas, perdoar alguém nos feriu ou nos fez algum tipo de mal – seja “ele”, alguém conhecido ou não, isto é quase que inconcebível.

O mundo a nossa volta precisa aprender sobre o perdão que nos salvou. Os ímpios só entenderão o valor desse perdão quando nossos irmãos em Cristo forem os alvos de nossa compaixão e perdão em primeiro lugar. O evangelho que pregamos deve ser o mesmo que apresenta a Jesus perdoando pecadores como eu e você!

A passagem Bíblica que lemos fala de relacionamentos saudáveis. O que há de mais saudável que manter um relacionamento baseado na verdade, amor e perdão com nosso irmão em Cristo Jesus?

O ensino que nos é proposto aqui é que precisamos aprender a perdoar quantas vezes for necessário até que tenhamos o hábito de perdoar. Este tipo de atitude envolve humildade e honestidade. O Dr. Wiersbe (2015, pág. 164-165) diz que “Se a humildade e a honestidade não resultarem em perdão, os relacionamentos não podem ser reparados e fortalecidos”.

Engana-se quem pensa que pode estar em paz e comunhão com Deus e ainda assim não estar bem resolvido com o seu irmão em Cristo; isto é um engano terrível, maligno e totalmente contra a Palavra de Deus. Não existe esta “comunhão” com Deus que ao mesmo tempo é inimiga do outro. Deus não é nosso colega de escola que fica do nosso lado quando estamos brigados com o outro colega. O ensino de Jesus é “… perdoa as nossas dividas assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6:12).

Jesus, após ter ensinado seus discípulos sobre a maneira correta de corrigir e exortar um irmão que está faltoso em sua postura cristã neste mundo (Mt 18:15-20), Ele agora também ensina o valor do perdão pra quem precisa ser perdoado e principalmente pra quem perdoa.

Nestes versículos que lemos podemos extrair alguns ensinos importantes sobre o perdão. Desta forma, iremos compreender com o ensino de Jesus que é preciso perdoar para que também sejamos perdoados. Vejamos:

I. PERDOAR DEVE FAZER PARTE DO RELACIONAMENTO SAUDÁVEL COM NOSSO IRMÃO [Mt 18:21-22].

A pergunta de Pedro não estava fora do lugar e nem sem sentido. O que ele perguntou de fato fazia parte da literatura judaica que ensinava a perdoar a pessoa que pecou e se arrependeu, por três vezes, sendo que na quarta vez está pessoa não merecia perdão algum.

Pedro, sendo exagerado como sempre e numa tentativa de ir além do padrão normativo entre os judeus, pergunta se por “sete vezes” deveria perdoar o irmão. Talvez ele realmente tivesse o interesse de perdoar o seu irmão; porém, estava mais interessado no limite que esta atitude poderia chegar.

É importante notarmos que as partes envolvidas nesta passagem são nada mais e nada menos que irmãos na fé. Lembre-se do contexto nos versículo 15 a 20 que abordam a situação de um irmão que está faltoso em sua postura; e, o irmão que percebeu isso deve procura-lo e exortá-lo.

A pergunta que fazemos é a seguinte: Por que é ensinado que nós devemos ir até esse irmão e mostra-lhe o erro a fim de ganha-lo? A questão aqui é o relacionamento que, por consequência do erro do irmão, fez com que fosse rompido.

Jesus está ensinando desde o início pelo menos três coisas importantes. Em primeiro lugar, o relacionamento entre irmãos não pode ser rompido, e se acontecer, uma das partes – se possível as duas, deve proporcionar a reconciliação imediatamente; Em segundo lugar, A parte que deve procurar a outra para a reconciliação precisa estar ciente de que perdoar deve ser o tema principal do encontro, lembrando-se do grande perdão que nos foi dado; e, Em terceiro lugar, este tipo de reconciliação só pode ser concebível entre a família na fé, uma vez que professamos o nome do mesmo Deus – por isso que está em toda a cena que Jesus apresenta – irmãos.

Mas, a pergunta de Pedro é respondida de uma maneira espetacular por Jesus. Enquanto que Pedro exagera na quantidade que se deva oferecer o perdão, Jesus vai muito além ao dizer quantas vezes de fato se deva oferecer perdão ao irmão.

Se Pedro achou que por sete vezes já estava tudo certo e resolvido, Jesus diz que quatrocentos e noventa é suficiente para que o irmão receba o perdão e o relacionamento permaneça de maneira saudável.

A questão aqui não é a quantidade de perdão que se devam oferecer, mas a sinceridade com que perdoamos ao ponto de repeti-lo quantas vezes forem necessárias para que o relacionamento saudável permaneça entre irmãos.

Jesus não está ensinando que podemos falhar quantas vezes quisermos contra nosso irmão que sempre teremos o perdão à nossa espera. Na verdade, o ensino de Jesus é que devemos estar sempre dispostos a perdoar, pois assim como ainda pecamos nesta vida e o perdão de Jesus por meio do seu sacrifício já foi suficiente para nos perdoar, da mesma forma tenhamos nós a mesma atitude. Por isso, perdoar deve fazer parte de nosso relacionamento saudável com nossos irmãos conforme as Escrituras nos ensinam (Mt 6:14; Mc 11:25; Cl 3:13).

Os versículos ainda nos ensinam sobre a atitude de perdoar para que sejamos perdoados. Vejamos:

II. O PERDÃO DEVE ACONTECER MOVIDO PELA COMPAIXÃO E NÃO PELA IMPARCIALIDADE [Mt 18:23-27].

A dívida deste rapaz era muito grande. Era um valor muito alto e estava em jogo não só a sua vida como também dos seus familiares. Este homem provavelmente tinha uma função importante para ter acesso a grande quantia, ao ponto de ser cobrado pelo próprio rei que está fazendo um acerto de contas com seus súditos.

A grande questão aqui é que este homem devia muito e não tinha como pagar. Sua dívida era tão alta que para pagá-la seria necessário vende-lo como escravo não só, mas também toda a sua família.

Nos tempos bíblicos, sérias consequências esperavam aos que não podiam pagar suas dívidas. O rei podia forçar ao devedor e sua família a trabalhar até que a dívida fosse cancelada. O devedor também podia ir ao cárcere, ou sua família podia ser vendida em qualidade de escravos para ajudar a pagar a dívida. esperava-se que o devedor, enquanto estava na prisão, pudesse vender suas propriedades ou que seus familiares pagassem a dívida. Se não, permanecia na prisão o resto de sua vida.

Este homem, vendo a sua situação, não lhe restou qualquer alternativa que não fosse se prostrar em submissão ao rei e rogar por um pouco mais de paciência. Perceba que o servo não rogou por um cancelamento da dívida, pois ele mesmo diz “… e tudo te pagarei”. É exatamente neste ponto que encontramos a beleza do perdão.

O rei decidiu perdoar a dívida daquele servo e o despediu. O rei não o levou preso, nem ele e nem a sua família. A dívida não foi paga – mas, perdoada. A atitude do rei foi movida pela compaixão. Ele não agiu com imparcialidade com o seu servo; ele se compadeceu.

Às vezes também temos o direito de exigir a punição de alguns irmãos por suas injúrias e difamações a nosso respeito, mas a imparcialidade não deve existir entre irmãos. O elo maior deve vir à tona para que haja a oportunidade de dar e receber perdão.

 Este talvez seja o grande problema; saber que estamos na razão, porém, virar a outra face. Desta maneira, perdoar deve acontecer por meio da compaixão para com nossos irmãos conforme as Escrituras nos ensinam (1Ts 5:15).

Os versículos seguintes também nos ensinam sobre a atitude de perdoar e ser perdoado. Vejamos:

III. PERDOAR DEVE SER UMA RESPOSTA NATURAL EM VISTA AO QUE RECEBEMOS QUANDO NÃO MERECÍAMOS [Mt 18:28-34].

Aquele homem logo em seguida teve a oportunidade de repetir o bem que recebera e não o fez. A atitude esperada era que, com seu coração grato e transbordante de alegria, ele pudesse perdoar também aqueles que lhe deviam e não tinham condições alguma de pagar; porém, ele agiu diferente.

O que Jesus ensinou aos discípulos é que o perdão deva sempre estar disponível ao irmão que precisar. Porém, este homem agiu com imparcialidade quando deveria agir com uma compaixão ainda maior da qual recebera. A dívida que foi perdoada deste homem foi muito maior ao que este conservo lhe devia, ainda assim ele não se importou.

Isto nos ensina como nós somos de fato. O homem que não tem o temor de Deus é desta forma. Recebe o bem e retribui com o mau. É a natureza pecaminosa falando mais alto.

O que de fato merecíamos era a morte; “Mas, Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).

A retribuição do amor e da compaixão deveria ser natural em nossos relacionamentos; mas, ao invés disso, preferimos rompe-lo e fingir que ainda estamos em paz.

Estas passagens ainda nos ensinam sobre a atitude de perdoar e receber perdão. Vejamos:

IV. É PERDOANDO AQUELES QUE NOS OFENDEM QUE REVELAMOS A VERDADEIRA CONDIÇÃO DO NOSSO CORAÇÃO [Mt 18:35].

É digno de nota que Jesus está falando não apenas de nosso exterior, mas principalmente do interior. Nossas atitudes externas podem até demonstrar que estamos nos relacionando bem e sem nenhuma dificuldade, mas, se em nosso coração a coisa ainda está mal resolvida, então o problema é muito maior do que pensamos.

A coisa é tão séria que Jesus ensina que o nosso perdão está condicionado ao nosso perdoar (Mt 6:14-15). O que está em jogo aqui é se nossas ações externas estão em sintonia com o que está internamente em nós.

O problema não é só a falta de perdão, é também dizer que perdoou apenas com a boca, mas no coração ainda guarda rancor. Agir desta forma é agir falsamente (Sl 28:3). O verdadeiro perdão vem do coração que já foi purificado e regenerado.

 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Precisamos aprender a perdoar quantas vezes for necessário até que tenhamos o hábito de perdoar. É preciso um sentimento humilde para reconhecermos o quanto precisamos ser os primeiros a demonstrar amor e compaixão, até por aqueles que nos ofendem. Também é preciso honestidade em nossas ações para que a sinceridade e verdade guiem nossas vidas; desta forma, agiremos como Cristo e manteremos os relacionamentos com nossos irmãos assim como mantemos com Cristo.

A beleza do perdão não está na oportunidade de perdoar e não fazer; mas, na oportunidade de se vingar e ainda assim preferir perdoar. O problema maior não é quem esta perdoando ou a quem perdoar, mas no ego de ambas as partes que precisam, uma a uma, oferecer e receber perdão (Pr. Luiz de Souza).

A situação mais difícil que existe é pedir perdão; como também, é difícil receber perdão.

Este é um mau que precisa ser corrigido em nossas vidas, enquanto estamos “a caminho” nesta vida, conforme o ensino de Jesus: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele ‘a caminho’, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5:25-26)

Precisamos seguir o exemplo de Jesus Cristo que, após ser abandonado pelos seus e esquecido por aqueles que um dia receberam todo o bem do Senhor, ainda assim se entregou na cruz do calvário para a remissão e perdão de nossos pecados.

A paz com Deus veio de uma inimizade que foi resolvida, não por aquele que ofendeu, mas por aquele que foi ofendido. O perdão de Deus por meio de Jesus Cristo nos ensina de fato a amar nossos irmãos como a nós mesmo; pois, esta é a difícil, porém necessária, tarefa que nos diferencia do mundo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

WIERSBE, Warren W. “Seja Leal: Seguindo o Rei dos reis”: Mateus. Santo André, SP. Geográfica Editora, 2015.
[1] Pastor na igreja do Betel Brasileiro em Parauapebas, Pará, desde Dez/2013. Formado em Teologia Ministerial com ênfase em Missiologia pelo STEBB-PA. Atualmente esta bacharelando Teologia Bíblica pelo Seminário Martin Bucer via EAD. É editor do site: http://www.blogluizhenrique.com. E-mail: pastorluizhenriq@gmail.com.
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